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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Oficina de Leituras - Letras - UFU

Algumas palavras sobre a experiência da leitura

Quando a leitura chega até nós usamos todos os nossos sentidos seja quando ouvimos, lemos para nós mesmos ou ainda quando lemos para outras pessoas.
Quando nascemos lemos nossa mãe pelo seu cheiro, seus sons e pelo sabor do leite materno que é para nós mais que alimento, é vida. E assim iniciamos a nossa longa e contínua construção de leituras que teremos e usaremos por toda nossa vida e seremos lidos pelos outros como também os leremos.
Quando lemos para as crianças elas por sua vez também fazem suas leituras, seremos lidos por nosso tom de voz empregado, por nossas feições faciais, por nossas expressões corporais e gestuais, portanto todo este conjunto precisa estar sintonizado com a leitura que fazemos seja ela uma contação de histórias, uma declamação poética, uma leitura fidedigna tal qual foi escrita pelo autor, uma descrição de uma roupa vista na vitrine, o relato de um sonho, ao passarmos uma receita, ou até mesmo quando lemos o receituário médico. São estas as primeiras leituras que as crianças fazem posteriormente, vão ler as imagens, que chegarão até elas pela televisão, por fotografias, por desenhos animados e filmes infantis, por seus próprios desenhos e finalmente através de livros e revistas os mais variados possíveis, lembrando que esta ordem descrita é imaginária, isto é, não corresponde fielmente à realidade de todas as casas brasileiras, mas por leituras e relatos de outros autores e pesquisadores acreditamos que não esteja assim tão fora da realidade.
Quando trazemos elementos como Dom Quixote e Sancho Pança em suas inesquecíveis, loucas e corajosas aventuras, Alice com seus países fabulosos e maravilhosos, as incontáveis aventuras dos deuses da mitologia pela Odisséia, ou ainda quando mergulhamos nas profundezas desconhecidas dos oceanos com o submarino e conhecemos sua tripulação e fazemos parte das descobertas deles, quando temos a oportunidade de sermos sensibilizados pela leitura e descobrimos como as estrelas nascem e rimos com o esperto sapo que consegue ir a uma festa no céu, e que percebemos que uma porta possui infinitas outras funções que vão além do abrir e fechar, mas que podem revelar e desvendar, e que a bicharada está à solta para cantar e aprontar, mundos encantados com castelos, dragões, príncipes e princesas reais e imaginários, e ainda desejamos ser uma sementinha cultural e quem sabe algum dia se transformar em um majestoso Baobá de idéias e criatividades onde suas sementes se multiplicarão em novos livros...
Com tudo isso ao lermos e sermos lidos temos a oportunidade de nos enriquecermos de tal modo o nosso mundo da leitura que as palavras e as imagens transbordam de nossas mentes com o desejo latente de alcançar outras mentes ávidas por conhecer outras possibilidades e encantamentos. E é assim que outras leituras nascem, sejam elas escritas, desenhadas ou faladas, mas todas elas sem exceção irão em algum dia contribuir para o crescimento imaginário, criativo, intelectual, poético e espiritual de todo ser humano.
















O menino que viu nascer uma estrela.

Esta história que agora escrevo, ouvi de um garoto crescido, faz parte de suas memórias, é uma lembrança compartilhada, e todos poderão recontá-la, deixou de ser apenas do menino e agora pertence a todos nós.
Vocês já viram uma estrela nascer? Sabem como nasce uma estrela? Elias o menino da nossa história descobriu...
Quando Elias tinha mais ou menos seis anos e era apenas um garotinho viveu uma grande aventura que graças a Deus deu tudo certo, mas que foi um sufoco. Ele morava em uma cidadezinha chamada São Sebastião do Paraíso, como toda criança ele era curioso e esperto, gostava de ver tudo e fazer grandes descobertas, mas numa dessas travessuras ou coisas do destino mesmo Elias caiu em um alambique, por Deus foi salvo e em seguida mudou-se para o estado do Amazonas e lá foi morar em uma tribo indígena de nome Iuca, fez amizade com um curumim, mais ou menos da sua idade, com ele brincava e alimentava sua curiosidade, conheceu uma música indígena da qual ele desconhecia o significado, mas gostava da melodia.
BOLOJO TERENANKO TERENAN
BOLOJO TERENANKO TERENAN
I BAFUFU BOLOJO TERENAN
I BAFUFU BOLOJO TERENAN
Em um dia triste o amigo curumim do menino Elias morreu e ele presenciou a tribo cantando a música que ele aprendeu com o curumim, descobriu assim que a música que aprendera e cantava com toda a alegria de sua infância era na verdade um ritual fúnebre. Das poucas lembranças que ficaram a música é uma delas. Na noite daquele dia triste viu uma estrela maior no céu, mais brilhante parecia convidá-lo a segui-la. Não teve dúvidas foi como que hipnotizado e por ela guiado chegou até o pequeno riacho onde costumavam brincar. A estrela parecia tão mais perto que fez do calmo riacho um espelho vivo. O menino Elias viu na água que espelhava a estrela o rosto refletido de seu amigo que sorria alegremente e subia ao céu.
Para onde iria seu amigo curumim? Como o veria novamente? Será que o veria? Muitas perguntas para a cabecinha de um menino que viveria muitas outras histórias, mas sempre que cantava observava o brilho diferente de uma estrela no céu.
Descobriu um tempo depois com ajuda da Clarice, essa mesmo a Lispector, em um de seus livros de contos e lendas que na verdade naquele tempo quando tinha apenas seis anos presenciou o nascimento de uma estrela.
E assim mais uma estrela nasceu no céu para que todos nós possamos admirar, mas, para o menino Elias a estrela que seu amigo curumim se transformou tem um misto especial de sentimentos.
Saber o significado das coisas é bom e importante, mas quando queremos saber demais o significado de tudo temos que ter cuidado para não perdermos ou diminuirmos o sentido que nossas experiências nos permitem vivenciar neste mundo.


                   

Texto: Drucila Milian
Imagens da internet organizadas por meu filho Luan de Souza.
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