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sábado, 30 de junho de 2012

Não é possível voltar e recomeçar...

Eu já havia desligado o notebook, mas o nó na garganta não se desfez, eu desejava compartilhar algo íntimo sem ter que expor muito. 
Não sabia bem como, mas, a necessidade de falar, gritar, escrever poderia aliviar minh'alma e outras também.

...

Meu filho foi dormir  e disse "_Boa noite mãe" como demorei a responder ele repetiu: "_Boa noite mãe...", no que respondi "_Boa noite filho." Satisfeito ele se foi, mas antes dele ir totalmente eu disse "_Te amo filho" e ele : "_Te amo também mãe", aí eu não aguentei e chorei, mas não chorei o amor dele ou o meu.
"Apenas chorei"

...


Chorei uma dor, um vazio, um desespero, um medo, uma constatação...

...

Meus pais são separados a anos e cada um possui novos relacionamentos. Meu pai vive um relacionamento um pouco conturbado com uma garota de uns 22 anos, mãe de quatro crianças pequenas e o último pode ser meu irmão. Sempre tentei ser neutra, mas na verdade eu me afastei bastante do dia a dia dele, não por preconceito de idade ou de filhos, mas sim porque nunca aceitei o modo rude como a mulher dele o trata.
...


 Hoje meu pai esteve aqui em casa com o filhotinho, meu pai tem 65 anos e o filhotinho ainda não completou dois aninhos. Ele é uma criança adorável.
Quando estavam indo embora, ele saiu afoito pelo portão alegre e sorridente como toda criança de sua idade e meu pai me disse em voz baixa, quase como se me confiasse algum segredo que ele, o bebê não pudesse ouvir:
"_ Sabe filha eu fico imaginando quando ele crescer, como vai ser... e eu nem vou estar aqui pra ver... talvez eu esteja... é... sei lá..."


Então olhei pro meu pai, tão magro, pálido e frágil, longe de ser aquele Herói que toda menina acredita  que o pai seja. Os cabelos brancos são tantos que já não dá mais pra retirá-los com a pinça como eu fazia quando criança e eles, os cabelos brancos, começavam a aparecer. 
O rosto sulcado pelas marcas do tempo... 
Mas, seus olhos tinham a força expressiva de uma certeza cruel... 
Não suportando desviei rápido o olhar, e então olhei pro bebê... tão pequeno, frágil, alegre e sorridente...
Consegui dizer com a voz em um ânimo desfocado:
"_ Pode sim, o espírito é eterno, e você vai poder acompanhar da espiritualidade..."


"_É..."
Não me lembro de ouvir em toda minha vida um "É" tão vago.
Eles entraram no carro e se foram. O velho homem com um sorriso largo na certa contagiado pela alegria da criança, sem se preocupar em esconder  a dor do olhar que o bebê ainda não pode identificar e em mim ficou um nó na garganta, nó não, um bolo de pêlos...


...
Quis chorar e não consegui.
Neste instante tanta coisa eu senti, tanta coisa eu vivi.
...

Estou tão habituada a conviver com os meus filhos, que vê-los crescendo, formando, trabalhando, apaixonando, casando, fazendo suas escolhas na vida, em qualquer ordem...parece tão certo isso...tão óbvio... tão distante da constatação de meu pai...
Que não consigo pensar em nada diferente...


Por toda a eternidade eu nunca vou me esquecer disto...
Parece clichê
Mas realmente precisamos aprender amar as pessoas como se não houvesse amanhã
A meu pai, compartilhar do tempo que lhe resta... como se fosse tudo e muito.
Aos meus filhos, compartilhar todo o tempo que lhes restam ... como se fosse tudo e muito.

Agora preciso ir, vou ver meus filhos adormecidos, sempre gostei de vê-los dormindo, pois tudo parece ser mais fácil, mais possível.
Se vou dormir não sei, meu corpo está cansado, confesso, mas minha alma está perturbada.


Todas as imagens foram extraídas do google imagens com intenção ilustrativa apenas.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Chico Xavier
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